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F.A.Q. Esporte Adaptado

1. Como surgiu o esporte adaptado?
R: O esporte adaptado surgiu no início do século XX, de forma muito tímida. Na primeira década do século, iniciaram-se as atividades competitivas para jovens portadores de deficiências auditivas, especialmente em modalidades coletivas. Por volta de 1920, tiveram início as atividades para jovens portadores de deficiência visual, especialmente a natação e o atletismo. Para pessoas portadoras de deficiências físicas, o início do esporte oficialmente se deu ao final da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados voltaram para os seus países de origem com vários tipos de mutilações e outras deficiências físicas. As primeiras modalidades tiveram origem na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na Inglaterra, por iniciativa do médico Ludwig Guttmann, indivíduos com lesão medular ou amputações de membros inferiores começaram a praticar jogos esportivos em um hospital em Stoke Mandeville. Nos Estados Unidos, por iniciativa da PVA (Paralyzed Veterans of América), surgiram as primeiras equipes de basquetebol em cadeira de rodas e as primeiras competições de atletismo e natação. Tudo isto ocorreu entre 1944 e 1952. A partir daí, o esporte para portadores de deficiências físicas não parou de crescer e, desde 1960, ocorrem os Jogos Paraolímpicos, sempre alguns dias após e na mesma sede dos Jogos Olímpicos convencionais.

2. Como é o esporte adaptado no Brasil?
R: O esporte adaptado no Brasil é muito recente e ainda tem muito o que evoluir. Surgiu em 1958 com a fundação de dois clubes esportivos (um no Rio e outro em São Paulo). Atualmente, o esporte adaptado no Brasil é administrado por 6 grandes instituições: A ABDC (Associação Brasileira de Desporto para Cegos) que cuida dos deficientes visuais, a ANDE (Associação Nacional de Desporto para Excepcionais) que cuida dos paralisados cerebrais e dos lesautres, a ABRADECAR (Associação Brasileira de Desportos em Cadeira de Rodas) que administra as modalidades em cadeira de rodas, a ABDA (Associação Brasileira de Desportos para Amputados) que cuida dos amputados, a ABDEM (Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Mentais) que administra os esportes para deficientes mentais e a CBDS (Confederação Brasileira de Desportos para Surdos) que cuida dos deficientes auditivos (esta última não está vinculada ao Comitê Paraolímpico Brasileiro

3. Quantos brasileiros portadores de deficiência praticam esporte?
R: Não existem dados oficiais, mas estimamos que cerca de 10% dos indivíduos portadores de algum tipo de deficiência no Brasil pratiquem um esporte adaptado.

4. Quais são as modalidades do esporte adaptado?
R: Existem várias modalidades praticadas em todo o mundo e a cada momento surgem novas modalidades. Entretanto, aqui no Brasil, as mais praticadas são: atletismo, arco e flecha, basquete em cadeira de rodas, basquete para deficientes mentais, bocha, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol e futsal para paralisados cerebrais e deficientes visuais, goalball, halterofilismo, hipismo, iatismo, judô para deficientes visuais, natação, rugby, tênis em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol sentado e para amputados, e modalidades de inverno.

5. Elas são iguais as modalidades “convencionais”?
R: Não. Algumas modalidades, como o goalball por exemplo, foram especialmente criadas para indivíduos portadores de deficiência (no caso visual). As demais modalidades, que foram adaptadas em relação às modalidades convencionais, sofrem alterações em relação ao tempo dos jogos, distâncias a serem nadadas ou corridas, altura da rede, entre outras. No entanto, existe uma grande preocupação para que a modalidade não seja descaracterizada. Dessa forma, as regras em geral são mantidas as mesmas para as modalidades adaptadas.

6. Que tipos de adaptações existem?
R: Depende da modalidade. Na natação e no atletismo, algumas distâncias são reduzidas para determinados tipos de deficiências. No futebol, o tempo do jogo e as dimensões do campo são reduzidos. No vôlei, a altura da rede é diminuída. Os cegos em geral podem competir com o auxílio de algum tipo de guia. Aconselho que para informações mais específicas, seja acessado o site de cada instituição administradora do esporte adaptado, onde constam as regras de cada modalidade.

7. Todo portador de deficiência pode praticar esporte?
R: Não. Se o sujeito apresentar algum tipo de distúrbio associado à sua deficiência (como por exemplo cardíaco, respiratório ou circulatório), é preciso que se avalie os riscos da prática esportiva. Além disso, algumas doenças progressivas podem ter uma evolução mais rápida caso o sujeito se exponha a esforços mais extremos.

8. Como o esporte ajuda na reabilitação do portador de deficiência?
R: De várias formas. Nos aspectos físicos e motores, o esporte melhora a condição cardiovascular dos praticantes, aprimora a força, a agilidade, a coordenação motora, o equilíbrio e o repertório motor. No aspecto social, o esporte proporciona a oportunidade de sociabilização com pessoas portadoras e não portadoras de deficiências, torna o indivíduo mais independente para a realização de suas atividades diárias e faz com que a sociedade conheça melhor as potencialidades dessas pessoas especiais. No aspecto psicológico, o esporte melhora a auto-confiança e a auto-estima das pessoas portadoras de deficiência, tornando-as mais otimistas e seguras para alcançarem seus objetivos.

9. Quais são as modalidades para deficiente físico, auditivo, visual?
R: As principais são:
Deficientes visuais: atletismo, ciclismo, futebol, judô, natação, goalball, hipismo, halterofilismo e esportes de inverno. Deficientes auditivos: atletismo, basquetebol, ciclismo, futebol, handebol, natação, vôlei, natação, e muitas outras (quase as mesmas das pessoas não portadoras de deficiência, pois não existem grandes limitações dos deficientes auditivos) Deficientes físicos: atletismo, arco e fleche, basquetebol em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol para amputados e paralisados cerebrais, halterofilismo, hipismo, iatismo, natação, rugby, tênis em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol sentado e para amputados e modalidades de inverno.

10. Quais portadores de deficiência participam das Paraolimpíadas?
R: Deficientes visuais, físicos e mentais. Não participam deficientes auditivos e mentais severos ou portadores de deficiências múltiuplas.

11. Desde quando existe as Paraolimpíadas?
R: Desde 1960, onde os jogos ocorreram pela primeira vez na cidade de Roma.

12. Desde quando o Brasil participa das Paraolimpíadas?
R: Desde 1972, quando os jogos ocorreram na cidade de Heidelberg.

13. Qual foi o melhor resultado do Brasil em Paraolimpíadas? Quantas medalhas?
R: Em termos de número total de medalhas, o melhor resultado foi em 1988 em Seul, quando o Brasil conquistou 27 medalhas (4 de ouro, 10 de prata e 13 de bronze). Em relação às medalhas de ouro, o melhor resultado foi em 1984 em Stoke Mandeville, quando o Brasil conquistou 21 medalhas (7 de ouro, 11 de prata e 3 de bronze).


Fontes Consultadas: Sites do Comitê Paralímpico Brasileiro, ABDC, ABRADECAR e IBGE. Foi também consultado o livro: Adapted physical education and sports, de Joseph P. Winnick, da editora Human Kinetics Books, de 1995.